Arrumando o fundo do baú encontrei coisinhas do passado, coisinhas aparentemente pequenas, mas que tem uma profundidade enorme dentro de mim, mexe com a alma, com os sentimentos e com os sentidos. Quem não tem dessas coisinhas? O ser humano ainda tem a tendência de guardar as frustrações a sete chaves, tornando a dor cada vez mais profunda, o arrependimento parece que me persegue. Sinceramente, acho que ele é meu companheiro em todas as noites que lembro do passado e respectivamente sinto uma lágrima descendo pelo meu rosto.
Eu não queria lembrar de nada daquilo. Mas a minha memória insiste em bater na mesma tecla todo dia. Parece até que já virou rotina. É como esse aviso do antivírus avast, que aparece todas as vezes que ligo o computador, chega a dar um susto certas vezes, quando estou despreparada. Não sei ao certo se eu que insisto em lembrar do passado ou se o passado que insiste em passear no meu presente. Mas não posso deixar, não devo. Devo sim, deixar o passado para trás. Sugar todo o aprendizado, tudo aquilo que me edifique. E deixar para trás todas as lágrimas que já deixei escapar, todo o espírito de derrota, todas as coisas que só me levam para o fundo do poço.
E hoje, eu deixo de olhar para trás. Deixo de pensar onde errei. Parei de procurar a resposta para os meus fracassos do passado. Agora é seguir em frente, limpa de toda impureza e desejo de olhar para aquele triste passado, aquele que já jurei ter deixado por milhões de vezes e em todas essas vezes fracassei. Mas hoje, hoje eu tenho noção de quanto eu mudei, do quanto preciso, necessito deixar aquela para ser eu. E com o cair da noite, aquela se vai . O dia clareou, o sol nasceu e um novo eu nasceu.

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